Distraído, eu nem tinha percebido o problema que a Fifa abordou: a comemoração "religiosa" que a seleção brasileira fez ao final do título da Copa das Confederações, na África do Sul, pode abrir margem para que outras religiões queiram se manifestar em campos de futebol.
Não sei dizer até que ponto a Fifa e as entidades européias têm razão, mas, sem dúvida, em alguma medida, eles têm. A Minha dificuldade é decorrente de ser cristão. Esqueço que outros países tem um convívio diferente com o tema religioso.
Aqui no Brasil, por formação protestante, sempre estranhei a "oficialidade" da religião católica. A tradução de filmes vindos dos EUA chega a colocar "padre", em situações em que o sacerdote da película é um pastor. A Globo dá um tratamento absolutamente parcial ás religiões, mas só é perceptível para quem não é católico.
Tratar o Estado como "laico" é uma dificuldade. Adotar de forma coerentre o espírito republicano, então, nem se fale. A noção de que os bens, símbolos e o espaço público são de todos não pode ser mitigada. Neste caso, não se aplica a "maioria", que vale no caso de eleições.
Tem sido uma dificuldade retirar os crucifixos das salas de audiência dos Fóruns, Brasil afora.
Bom, quem não viu os jornais eletrônicos hoje vai ver amanhã: Lula recebe a equipe do Corínthians (que foi campeã da Copa do Brasil ontem) no Palácio do Planalto, fica com os dirigentes e atletas por mais de uma hora, usa sua autoridade para pedir que seja mantida a equipe até o final da Libertadores e manda os adversários morrerem de inveja.
Falta espírito republicano ao Presidente. Como conselheiro do Timão, podia passar pelo Parque S. Jorge no final de semana e jantar com seus amigos.
Obama, por exemplo, admitiu que torcia por um dos times na final do futebol americano. No caso, torcia pelo Pittsburgh Steelers, que nem é sua primeira equipe. Só que certamente não colocou um minuto do seu trabalho como Presidente a serviço desta torcida.
Ali, mesmo com Deus invocado nas cartas de fundação do país, o Estado é laico.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
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1 comentários:
Meu caro amigo, imagine o duro que é você ser ateu e ter de aturar a "sua" seleção fazendo um papelão daqueles. Não bastasse a mitomania, ainda tem os problemas das contradições internas dos religiosos: eles pensam, naquele momento, ao "agradecerem" a Deus, que foram escolhidos? Que, aos olhos de Deus mereceram mais a vitória que os adversários? Será que Deus se meteria numa roubada dessas?
É triste.
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