Ontem, distraído na frente da TV, vi o Sardemberg, um dos comentaristas de economia da Globo, comentando atualidades do setor.
O problema é a distração. Ver notícias de TV sempre é algo meio passivo, em meio à outras preocupações, que geralmente, desligam nosso senso crítico e acabamos engolindo a ideologia que nos impõem.
Sardemberg fazia o que: 1) Comemorava a retomada econômica do tal "Goldman Sachs", o Banco norteamericano; 2) colocava a análise das consultorias "independentes" americanas sobre a retomada do crescimento da economia.
Certamente, do ponto de vista técnico, as análises estão corretas, mas o que não é fácil de digerir é o conteúdo litúrgico, religioso, que o comentarista global dá às formas de pensar dos técnicos das tais consultorias "independentes".
O quão triste que é ver as pessoas submetidas á verdade suprema: as consultorias de economias do Tenesse, de Michigan...de lugares que conhecem ideologias apenas do espectro que vai do partido democrata ao partido republicano.
Fico imaginando como se sentem ecomomistas de academia, tanto aqui o Brasil quanto na europa, vendo estes centros de "informações" e "análises", como irradiadores de verdades absolutas.
É triste!
...mas vamos comemorar, afinal o Goldman Sachs voltou a ter lucro.
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Estado, futebol e religião
Distraído, eu nem tinha percebido o problema que a Fifa abordou: a comemoração "religiosa" que a seleção brasileira fez ao final do título da Copa das Confederações, na África do Sul, pode abrir margem para que outras religiões queiram se manifestar em campos de futebol.
Não sei dizer até que ponto a Fifa e as entidades européias têm razão, mas, sem dúvida, em alguma medida, eles têm. A Minha dificuldade é decorrente de ser cristão. Esqueço que outros países tem um convívio diferente com o tema religioso.
Aqui no Brasil, por formação protestante, sempre estranhei a "oficialidade" da religião católica. A tradução de filmes vindos dos EUA chega a colocar "padre", em situações em que o sacerdote da película é um pastor. A Globo dá um tratamento absolutamente parcial ás religiões, mas só é perceptível para quem não é católico.
Tratar o Estado como "laico" é uma dificuldade. Adotar de forma coerentre o espírito republicano, então, nem se fale. A noção de que os bens, símbolos e o espaço público são de todos não pode ser mitigada. Neste caso, não se aplica a "maioria", que vale no caso de eleições.
Tem sido uma dificuldade retirar os crucifixos das salas de audiência dos Fóruns, Brasil afora.
Bom, quem não viu os jornais eletrônicos hoje vai ver amanhã: Lula recebe a equipe do Corínthians (que foi campeã da Copa do Brasil ontem) no Palácio do Planalto, fica com os dirigentes e atletas por mais de uma hora, usa sua autoridade para pedir que seja mantida a equipe até o final da Libertadores e manda os adversários morrerem de inveja.
Falta espírito republicano ao Presidente. Como conselheiro do Timão, podia passar pelo Parque S. Jorge no final de semana e jantar com seus amigos.
Obama, por exemplo, admitiu que torcia por um dos times na final do futebol americano. No caso, torcia pelo Pittsburgh Steelers, que nem é sua primeira equipe. Só que certamente não colocou um minuto do seu trabalho como Presidente a serviço desta torcida.
Ali, mesmo com Deus invocado nas cartas de fundação do país, o Estado é laico.
Não sei dizer até que ponto a Fifa e as entidades européias têm razão, mas, sem dúvida, em alguma medida, eles têm. A Minha dificuldade é decorrente de ser cristão. Esqueço que outros países tem um convívio diferente com o tema religioso.
Aqui no Brasil, por formação protestante, sempre estranhei a "oficialidade" da religião católica. A tradução de filmes vindos dos EUA chega a colocar "padre", em situações em que o sacerdote da película é um pastor. A Globo dá um tratamento absolutamente parcial ás religiões, mas só é perceptível para quem não é católico.
Tratar o Estado como "laico" é uma dificuldade. Adotar de forma coerentre o espírito republicano, então, nem se fale. A noção de que os bens, símbolos e o espaço público são de todos não pode ser mitigada. Neste caso, não se aplica a "maioria", que vale no caso de eleições.
Tem sido uma dificuldade retirar os crucifixos das salas de audiência dos Fóruns, Brasil afora.
Bom, quem não viu os jornais eletrônicos hoje vai ver amanhã: Lula recebe a equipe do Corínthians (que foi campeã da Copa do Brasil ontem) no Palácio do Planalto, fica com os dirigentes e atletas por mais de uma hora, usa sua autoridade para pedir que seja mantida a equipe até o final da Libertadores e manda os adversários morrerem de inveja.
Falta espírito republicano ao Presidente. Como conselheiro do Timão, podia passar pelo Parque S. Jorge no final de semana e jantar com seus amigos.
Obama, por exemplo, admitiu que torcia por um dos times na final do futebol americano. No caso, torcia pelo Pittsburgh Steelers, que nem é sua primeira equipe. Só que certamente não colocou um minuto do seu trabalho como Presidente a serviço desta torcida.
Ali, mesmo com Deus invocado nas cartas de fundação do país, o Estado é laico.
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Não tem quase nada de bom no título do Corinthians.
Quer dizer...não seria grande coisa se o Inter ganhasse, mas esta é outra história.
Bom...vendo o jogo agora, não pude deixar de lembrar de alguém muito querido.
Tio Eliseu se dizia um exilado em terras gaúchas. Assinava a Folha de São Paulo e frquentava qualquer jogo em que o Corinthians comparecesse em Porto Alegre.
Passou lá boa parte de sua vida, reclamando do humor árido que ele via no gaúcho médio.
Cheguei a vê-lo, pela Globo, com radinho no ouvido, num GRêmio x Corinthians, em plena arquibancada do Olímpico.
Foi embora em 2005, mas se estivesse vivo estaria lá no Beira Rio chorando
Saudades. Privilégio.
02.07.2009. 0019 hs
Quer dizer...não seria grande coisa se o Inter ganhasse, mas esta é outra história.
Bom...vendo o jogo agora, não pude deixar de lembrar de alguém muito querido.
Tio Eliseu se dizia um exilado em terras gaúchas. Assinava a Folha de São Paulo e frquentava qualquer jogo em que o Corinthians comparecesse em Porto Alegre.
Passou lá boa parte de sua vida, reclamando do humor árido que ele via no gaúcho médio.
Cheguei a vê-lo, pela Globo, com radinho no ouvido, num GRêmio x Corinthians, em plena arquibancada do Olímpico.
Foi embora em 2005, mas se estivesse vivo estaria lá no Beira Rio chorando
Saudades. Privilégio.
02.07.2009. 0019 hs
Golpe Militar em Honduras
Atenção.
Vivemos novamente, depois de décadas, um golpe militar na América Latina.
Este é tão ruim quanto todos os outros. Igualmente asqueroros e sem desculpas.
Pelo menos desta vez, estão todos contra. Eua, Cuba, Brasil...
Vivemos novamente, depois de décadas, um golpe militar na América Latina.
Este é tão ruim quanto todos os outros. Igualmente asqueroros e sem desculpas.
Pelo menos desta vez, estão todos contra. Eua, Cuba, Brasil...
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liberdade de expressão
Domingo, 28 de Junho de 2009
Aos que vierem depois de nós
Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Estádio de futebol, alegorias e dor.
A Aninha não queria ir ao Morumbi.
Estava meio mal impressionada pela última experiência, uma visita ao parque Antártica contra o Palmeiras e em minoria absoluta, no cantinho da arquibancada.
Ela tinha razão. Nestes jogos em que somos “torcida visitante”, a maioria dos torcedores da nossa própria torcida é de organizadas, que costumam ter rituais e figurinos bem agressivos, além do clima que fica no ar com tantos policiais nos "protegendo".
Mas consegui convencê-la. Viver um jogo eliminatório de Libertadores é algo diferente. Saber que dali só vai sair um dos dois times, que alguém vai sair direto para casa e seus campeonatos domésticos, já dá uma emoção mais forte.
É preciso sair de casa sabendo que provavelmente vai sofrer, angustiado, eventualmente frustrado.
Fomos e realmente sofremos. Ela conheceu esta experiência diferente de uma eliminação. Cruzeiro venceu e ela foi testemunha da última página da “Era Murici”.
Ainda não me confessou nada, mas sei que tem noção de que é muito bom viver até mesmo estes momentos difíceis. Viver a história, estar presente, já é uma vitória, ainda que o futebol seja apenas representação, alegoria de outros movimentos.
Estava meio mal impressionada pela última experiência, uma visita ao parque Antártica contra o Palmeiras e em minoria absoluta, no cantinho da arquibancada.
Ela tinha razão. Nestes jogos em que somos “torcida visitante”, a maioria dos torcedores da nossa própria torcida é de organizadas, que costumam ter rituais e figurinos bem agressivos, além do clima que fica no ar com tantos policiais nos "protegendo".
Mas consegui convencê-la. Viver um jogo eliminatório de Libertadores é algo diferente. Saber que dali só vai sair um dos dois times, que alguém vai sair direto para casa e seus campeonatos domésticos, já dá uma emoção mais forte.
É preciso sair de casa sabendo que provavelmente vai sofrer, angustiado, eventualmente frustrado.
Fomos e realmente sofremos. Ela conheceu esta experiência diferente de uma eliminação. Cruzeiro venceu e ela foi testemunha da última página da “Era Murici”.
Ainda não me confessou nada, mas sei que tem noção de que é muito bom viver até mesmo estes momentos difíceis. Viver a história, estar presente, já é uma vitória, ainda que o futebol seja apenas representação, alegoria de outros movimentos.
Sábado, 20 de Junho de 2009
Tricolor eliminado
Eu estava lá.
No Morumbi.
São Paulo eliminado da Libertadores, de novo, com justiça.
É verdade que dói menos do que a derrota do Palmeiras, que foi injusta, mas também dói.
O cotidiano mostra o quanto há gente só esperando para ver derrotas do tricolor, um acúmulo de invejosos, que ficam em silêncio enquanto estamos ganhando.
Vale dizer: ficam muito tempo quietos.
Tudo bem... faz parte.
Saiu um dos melhores técnicos que o time já teve, com uma história linda no clube e vem Ricardo Gomes. Este, uma incógnita, mas ao menos com a postura ética compatível com o São Paulo. É sério, não é falastrão.
Vai encontrar a melhor estrutura e um dos melhores elencos.
Dá até para brigar pelo Hepta. Vamos ver.
No Morumbi.
São Paulo eliminado da Libertadores, de novo, com justiça.
É verdade que dói menos do que a derrota do Palmeiras, que foi injusta, mas também dói.
O cotidiano mostra o quanto há gente só esperando para ver derrotas do tricolor, um acúmulo de invejosos, que ficam em silêncio enquanto estamos ganhando.
Vale dizer: ficam muito tempo quietos.
Tudo bem... faz parte.
Saiu um dos melhores técnicos que o time já teve, com uma história linda no clube e vem Ricardo Gomes. Este, uma incógnita, mas ao menos com a postura ética compatível com o São Paulo. É sério, não é falastrão.
Vai encontrar a melhor estrutura e um dos melhores elencos.
Dá até para brigar pelo Hepta. Vamos ver.
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